REVIEW: artRave em Dallas por Dallas Observer

admin em 18.7.2014 ás 9:22    

A artRave tem arrancado elogios dos críticos por onde passa. A ultima apresentação aconteceu ontem, 17 de julho, em Dallas e o site Dallas Observer estava lá para analisar uma das turnês mais polêmicas dos EUA. Entre umas observações sobre a carreira de Gaga e comentários sobre a visão artística de Lady Gaga, Jeff Gage reconheceu o carinho que a Mother Monster tem pelos seus fãs. Confira:

Quem é Lady Gaga? É uma pergunta que ela talvez tenha se questionado nos ultimos meses. Certamente, a narrativa popular quer que você pense assim. Apesar de lançar um álbum, ARTPOP, que ficou em primeiro lugar no ano passado, os comentários diziam que ela está flopada. Um álbum que deveria ser o maior evento de alguma forma não passou essa sensação. O lançamento que deveria ser artístico só passou a sensação de diversão. E ainda teve o vazamento do clipe com R. Kelly.

Mas quando Gaga apareceu na noite de quinta-feira no American Airlines Center para sua ultima parada da artRave tour, ela parecia saber exatamente quem ela era: Mother Monster.

Talvez, se Gaga realmente teve algum problema, é que ela se distraiu tentando ser uma artista com “A” maiúsculo. A pretensão de ARTPOP, com uma capa feita pelo artista visual Jeff Koons certamente tentou se mostrar assim. E, no entanto, isso foi um pouco equivocado. De “Venus” para “Sexxx Dreams” para “Fashion,” ARTPOP foi mais um álbum pesoal do que glamouroso, um álbum sobre identidade e expressão pessoal. Talvez tenha sido melhor que Born This Way. Mas não foi assim que a conversa foi enquadrada, até mesmo por Gaga.

Na AAC, essa pretensão caiu na metade do caminho. Em vez disso, o show foi um grito de guerra para seus little monsters lutarem juntos contra haters, para serem eles mesmos e amarem livremente. Dadas algumas publicidades negativas nos ultimos meses, essa mensagem poderia ser reacionária – mas também, é a mensagem que Gaga sempre passou. A arte, a celebridade, até mesmo a música se tornam secundárias.

Teve momentos – em particular, quando ela trocou de figurino no palco – que parecem uma tentativa falha de chocar. Teve um momento que os vocais de apoio ficaram mais altos, mas foram raros. Na maioria do tempo Gaga é o “showman”, levando uma produção elaborada que permaneceu divertida durante todo o tempo. Diferente de vários shows em arenas, esse não ficou com medleys e versões de hits.

A razão de tudo isso dar certo é que veio como boa diversão. Os figurinos, ao invés de parecerem visionários, pareciam engraçados e estranhos. Se a alta-moda busca por um artifício de perfeição, então a sensibilidade da Mother Monster deleita-se com suas imperfeições e vôos de fantasias.

Gaga estava em seu melhor momento quando tinha mais seus pés no chão. Sua mãe e irmã estavam no show, sorrindo e acenando nos telões. Em um momento, Gaga leu as cartas de dois fãs (que pareceram perfeitas demais) e riu com eles tacando roupas e bichos de pelúcia no palco para ela, que obedientemente experimentou. Entre scripts cuidadosamente elaborados, esses momentos soaram bem sinceros.

Depois, durante uma longa conversa com seus little monsters, seguida de “Do What U Want,” uma das faixas mais energéticas da noite, Gaga foi até o piano no final da passarela. Seus dançarinos saíram, deixando-a sozinha, e enquanto ela tocava e cantava, sua voz saia da forma mais clara – profunda e cheia de emoção.

Durante esses minutos, Gaga era qualquer coisa além de uma celebridade ou mercadoria enlatada. Ela era uma pessoa real, alguém tentando criar uma conexão com milhares de pessoas de uma só vez. Talvez não seja a Lady Gaga que pode se manter relevante a longo prazo, mas era uma que faria seu fãs felizes.

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