Revista “Billboard” avalia álbum “Cheek To Cheek” com 3 de 5 estrelas

admin em 23.9.2014 ás 4:41     1 Comentário

  

Em recente publicação a famosa revista “Billboard” publicou um review faixa-por-faixa e avaliou o mais novo trabalho de Lady Gaga em parceria com a lenda do jazz, Tony Bennett, “Cheek To Cheek ” recebeu 3 de 5 estrelas, confira a tradução completa :

Após anos fugindo da normalidade o mais rápido que seus pés calçados de stiletto poderiam carregá-la, Lady Gaga está dando uma de Rod Stewart e se aprofundando no Great American Songbook. Isso pode simplesmente salvar sua carreira.

 

Esta popularidade dos movimentos musicais passou por alguns anos difíceis para a chefe provocadora do pop. Em 2013, Gaga rompeu com seu empresário de longa data, passou por uma cirurgia no quadril e lançou seu terceiro álbum, ARTPOP, um líder das paradas que não foi exatamente uma “fusão mundial” que todos esperavam.

 

Gaga pensou em desistir, mas como se vê, a Mother Monster só precisava de uma figura fraternal para colocar as coisas em perspectiva.

 

Ela escolheu o certo. Aos 88 anos, Tony Bennett é um tesouro nacional — um “gato” com charme e swing cuja personalidade acolhedora e gentil sem medir esforços lhe valeram o amor e o respeito de quase todo mundo no planeta. Após a colaboração deles na sua gravação Duets II, de 2011, Bennett ficou ansioso para trabalhar com a ex-Stefani Germanotta numa coleção de músicas jazz com a qual ele sabia que sua companheira italiana de Nova Iorque conseguiria lidar.

 

Em Cheek to Cheek, Gaga justifica a fé dele — e algumas vezes um pouco de modo forçado. Enquanto que Bennett é um mestre da contenção — um rapaz cujas melhores performances brincam como sessões de bate-papo melódicas — Gaga prospera em espetáculo. Ela canta muitas destas canções com a atuação exagerada e involuntária que abastece seu gênio imperfeito.

 

Gaga definitivamente precisava de Bennett mais do que ele precisava dela, mas ambos vão se beneficiar desta colaboração. De acordo com todos os relatos, eles se divertiram muito trabalhando juntos, portanto, é melhor deixar todo o cinismo com a garota do vestiário. Agora, se a legião de “Little Monsters” de Gaga vai fazer como Bennett espera e descobrir o brilho de Cole Porter e Irving Berlin, isto quase não importa. A heroína deles vai emergir de Cheek to Cheek energizada e validada, e o real sucesso do álbum pode ser medido pelo que ela faz em seguida.

 

Leia a seguir para entender nosso take faixa-por-faixa desta colaboração extremamente simpática deste dueto aparentemente improvável.

 

“Anything Goes”: Esta poderia ser a canção tema de Gaga, embora aqui, ela mude seu ponto de vista habitual. “O dia é noite hoje em dia, e o negro é branco hoje em dia”, ela canta mais como uma observadora admirada de nosso mundo doido do que alguém que procura o louco quociente. Bennett, de forma característica, relaxa do começo ao fim, e Gaga resiste disparando-o até o finalzinho, quando ela perde o sotaque “old-school” provocante e empurra as coisas para o século 21.

 

“Cheek to Cheek”: Esta faixa começa no segundo verso, quando o baixo e os tambores aparecem e Bennett toma as rédeas. Quando os dois juntam as vozes, Gaga beira o avassalador, mas a Mother Monster mantém seu cenário mastingando em cheque, e o “scatting” final sugere que eles realmente estavam se divertindo.

 

“Nature Boy”: Gaga elogiou o compositor Eden Ahbez por ser “parte de uma subcultura de hippies nômades”, e enquanto este número sofisticado não é exatamente uma viagem psicodélica, o flautista Paul Horn — que morreu não muito tempo depois da gravação — dá a esta canção um ar de fantasia, quase místico. Trata-se de viajar pelo mundo e descobrir que tudo do que você precisa é amor, e com seu vibrato latente, Gaga se transforma em uma de suas performances mais discretas.

 

“I Can’t Give You Anything But Love”: O órgão elétrico e a linha de baixo saltitante chegam com a frieza elegante de um coquetel gelado, e a partir do segundo em que ela entra pela porta, Gaga está pronta para a festa. “Nossa, eu gosto de te ver bonito, Tony”, ela canta, pouco antes de dar-lhe um aumento vocal poderoso. No final, ela está derrubando bandejas de aperitivos e cantando por cima do pobre Tony.

 

“I Won’t Dance”: “Quando você dança”, Tony diz à Lady, “você é tão charmosa e gentil.” A menos que ele tenha perdido aquela façanha do vômito verde no SXSW, ele sabe muito bem que Gaga é a antítese do gentil, e é isso o que dá a este standard com swing sua maravilhosa sensação de piscar de olhos. Gaga entra no espírito retrô pronunciando “absolutamente” e “especialmente” como uma dama de um filme antigo. Escrito nos anos 30, esta canção é tudo sobre como o cérebro, o corpo e o coração nem sempre concordam, e exceto pela referência a fazer o Continental, ela soa bem atual.

 

“Firefly”: Aqui, Tony solta o colarinho e prova que ele pode sair com a histriônica Gaga. “Por que eu não posso me agarrar a você?” ele canta, capturando a perplexidade e a frustração sexual de um rapaz que traz uma garota a uma festa, imaginando que ele terá alguma ação, e então vê-la flertar com todos os caras na sala. O quê, ele achou que Gaga ficaria sentada com as mãos cruzadas a noite inteira?

 

“Lush Life”: Muitos artistas tiveram dificuldades com o hino ébrio de Billy Strayhorn, e dada a sua recente onda de má sorte, Gaga entristece a canção de forma convincente, desta vez sozinha. Parece que ela está fazendo serenata para um copo vazio às 2 horas da madrugada, tendo acabado de fechar o bar que ela está fadada a freqüentar pelo resto de seus dias. Engraçado que “lush” (exuberante) significa “luxuriante” e “bebedor excessivo”. De qualquer forma, não é uma palavra que você quer para definir sua vida.

 

“Sophisticated Lady”: Depois da performance individual de Gaga, Bennett se aproxima e toma sua vez. Com o suporte de um piano simples, ele dá uma espécie de conversa estimulante para uma senhora cansada que amou e perdeu e acabou se esquecendo de como ela é elegante. É como se Tony estivesse dizendo à Lady para se animar e colocar suas calças de mulher – ou vestido de carne, ou biquíni de plástico, ou o que quer que seja.

 

“Let’s Face the Music and Dance”: Algumas dessas músicas antigas têm uma inteligência que falta nas letras de hoje, e esta canção é sobre como fazer tudo, mas encarando a música, pelo menos em um sentido idiomático. Gaga e Bennett imaginam que há uma má sorte adiante – para não mencionar a conta do jantar e bebidas consideráveis – então eles bloqueiam a realidade e se perdem neste número percussivo. É a única música onde os tambores e cornetas – especialmente o solo de sax – tiram os atores principais (Gaga e Bennett) dos holofotes.

“But Beautiful”: Esta música de 1947 é sobre como quando se trata de amor, você tem que agüentar os altos e os baixos. É basicamente “Bad Romance”, menos as linhas sobre couro batido e comportamento psicopata. Os vocais de Gaga se dobram nas cordas como leitelho em mistura para bolo, e a Miss Bluffin’ With My Muffin serve uma guloseima surpreendentemente doce.

“It Don’t Mean a Thing If It Ain’t Got That Swing”: “Do-wa, do-wa, do-wa, Tony, Gaga!” estes dois “jivers” saltitantes cantam em uníssono, abalando o suficiente a vitalidade retrô para inserir os caras na Cherry Poppin’ Daddies e na Big Bad Voodoo Daddy e fazê-los sonhar com mais um renascimento do swing. Isso não vai acontecer, felizmente, mas o Casamento Musical de Tony e Lady termina com muitos mergulhos e rodopios.

Comentários

  • Gabriel Veiga

    Muito bom!