Tradução : Entrevista de Lady Gaga para o site Yahoo

admin em 22.12.2014 ás 7:53    

Na tarde de hoje (22/12) a entrevista concedida por Lady Gaga ao Yahoo foi divulgada. Nesta entrevista, Gaga falou de diversos temas e falou um pouco sobre seu próximo álbum.

 

Confira a tradução da entrevista abaixo:

 


    “Eu estava a fazer yoga hoje”, diz a infatigável Lady Gaga durante um almoço no Joanne, restaurante dos seus pais. “E a minha professora de yoga estava tipo, ‘Que merda é esta?’, Eu tinha o meu dedo do pé por cima da minha cabeça, estava numa posição muito estranha, e estava a falar com ela sobre alguma canção do David Lee Roth – não sabia o que estava a acontecer. Mas ela disse, ‘Eu não sei o que aconteceu contigo antes de saíres para começar a artRAVE e agora. Eu só sei que preciso que fiques assim.’ “
    
    Quando 2014 começou, estava longe de se saber como o ano de Gaga correria. Sua entrada num espeto de churrasco no South By Southwest em Março foi como uma espécie de metáfora para o que ela tinha vindo a ser caracterizada na mídia – a gratuita e viciosa torrefacção dela como “acabada”, após o suposto “fracasso” do seu álbum ARTPOP. E ainda aqui estamos. Atrevo-me a dizer que Gaga teve, de fato, um ano mais variado e interessante do que qualquer um dos seus colegas. O sujo e mais simples cenário do SXSW. Uma semana histórica de concertos para fechar o Roseland Ballroom, com um show de Gotham-centric que espelhava a corajosa glória daquele local lendário. A transformação do ARTPOP na transcendência feliz da artRAVE, que chegou ao fim com um concerto Paris cuja transmissão ao vivo quebrou recordes para a Yahoo! e a Live Nation. E, claro, realizando o que Gaga diz que foi “o sonho” de fazer um álbum de jazz, Cheek to Cheek, com o octogenário e esplêndido Tony Bennett – esta colaboração vai continuar em 2015, com 35 datas ao vivo por todo o mundo. Isto é o que “acabada” vos parece? Mantenha sua música pop interessada em por os números para combater, por favor. Se souberes de algum caso de uma grande estrela da música que teve um ano mais intrigante do que Gaga, eu gostaria de ouvi-lo.
Então, não é surpresa que ela estava com um grande espírito, quase vertiginoso, quando eu entrei no restaurante de sua família no Upper West Side. “É uma coisa maravilhosa quando se acorda feliz”, diz ela com entusiasmo. Sobre o ombro de Gaga está uma fotografia do seu namorado de três anos (e atualmente objeto de uma enxurrada de “será-que-vão-ou-não-se-casar?”), o ator Taylor Kinney. Observo que sempre pensei que o seu homem tivesse os olhos muito parecidos com os de Leonardo DiCaprio, os dois poderiam atuar como irmãos. “Totalmente”, ela concorda. “Eu quero ver o Taylor e o Leo num filme juntos, dirigido pelo Martin Scorsese!” Também na parede está uma placa de licença do Estado de Nova York, onde se lê “LADYGAGA.” (Hey conselho de turismo, quer uma verdadeira menina de Nova Iorque para ser sua embaixadora? Eu tenho aqui a sua nativa.) “Tony disse no outro dia: ‘Gaga, a razão de ter se dado tão bem é porque você é de Nova Iorque”, diz Lady. “E é verdade, eu tenho a pele grossa, mas eu estava precisando me tornar saudável novamente. Era como se eu fosse o Frankenstein, sabe? Era como se eu estivesse em pedaços e, de repente, estivesse tudo costurado de novo”. 

    Em certo sentido, é possível rastrear as emoções ecléticas de Gaga em 2014 através do seu estilo. Enquanto houveram idas e vindas de hotéis, aparições promocionais, um desempenho no muito falado soireé da Harpers’s Bazaar Icons, que foram todos memoráveis, são as imagens de seus concertos ao vivo que mais permanecem na nossa memória. E falando sobre o contraste! Por um lado temos o SXSW- ostentando um ninho de ratos de rastas brancas (um olhar resquício do seu vídeo ARTPOP de Inez & Vinoodh), um biquíni, e tinta vomitada da artista Millie Brown. Por outro lado, apenas alguns meses depois, há as roupas de glam do seu especial de “Cheek to Cheek” com Bennett, filmado no Lincoln Center. Como poderia aquela ser a mesma artista? “Isso é Lady Gaga!”, Diz Gaga. “Sabes, eu sou a senhora (Lady)  pelo dia, e  Gaga pela noite. E eu sempre vou ser assim, porque é um testemunho da sua disciplina enquanto músico. Eu gosto de beber, eu gosto de ficar louca, eu gosto de sair com os meus amigos, e eu gosto de cantar rock and roll. Eu costumava ser uma go-go dancer! E eu gosto de ser inspirada por jovens artistas, pessoas como a Millie que são escandalosamente fortes e disciplinadas enquanto indivíduos. Mas no final do dia, eu sou uma pianista de formação clássica e eu também sou cantora, e é isso que permite que a garota que sai à noite também possa subir ao palco com Tony Bennett no Lincoln Center. Porque eu sei como fazê-lo.”

Para a capa de Cheek to Cheek, fotografada por Steven Klein, e partes do especial, transmitido em Outubro no PBS, Gaga usava uma juba de cachos negros que lembravam Cher na sua era “If I Could Turn Back Time”. Mas em outras partes do concerto, usando uma grinalda da idade do jazz, ela trouxe à mente uma outra menina ítalo-americana, como ela mesma -Liza Minnelli. Houve até mesmo rumores recentes de que 2015 pode incluir algum tipo de colaboração entre Gaga com um G e Liza com um Z. Enquanto Gaga trata-os como apenas isso: rumores, ela lembra-se da primeira vez que conheceu o ícone. “Está brincando  comigo? Ela fez a mais épica apresentação que alguém já me tivera feito”, ela ri. “Ela entrou no meu camarim, atirou o seu casaco de pele no chão, seus brincos de diamante foram batendo, e disse: ‘Estou aqui!” Foi totalmente irreal!”

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Gaga também sabe como fazer uma entrada – como fez noite após noite na artRAVE, aparecendo no palco em um leotard enfeitado com joias e equipado com uma “Gazzing Ball” azul de Jeff Koons. Este último mega-show pode ter-se conectado com os fãs mais intimamente do que qualquer uma de suas turnês anteriores, diz ela, algo que ela considerou especialmente gratificante considerando o ataque feito a ARTPOP no seu lançamento, dizendo que era um registo “clínico”. “Com esse álbum é como se eu estivesse a criar o meu próprio ácido. Ácido é uma droga sintética criada em laboratórios, e eu criei uma droga sintética musical para sobreviver a minha própria vida. Mas, então, enquanto viajava ao redor do mundo eu conheci mais e mais crianças que eram completamente ARTPOP para caralho nas galáxias mais selvagens de seus sonhos. As crianças cujas vidas foram alteradas por causa deste álbum. Sabes, o Planeta Venus é um lugar onde eles vão em suas mentes quando estão em casa, para escapar da sua vida familiar, dos seus problemas, da sua depressão.”
Gaga se considera uma compositora, e nos quatro álbuns que ela lançou, estima que tenha escrito “90 por cento” de suas canções. Mas neste ano, ela dobrou o trabalho, alternando entre cantar seu próprio material na artRAVE e junto com Bennett, cantando clássicos do Great American Songbook – canções escritas numa era antes de alguma valorização ser atribuída aos cantores que também eram compositores. Gaga vê um valor em ambos os tipos de música, com uma ressalva: “Se não vais escrever a tua própria música”, ela me diz: “é melhor você ser capaz de soprar. Porque se não conseguires soprar, não há nenhuma razão para fazer este trabalho. Mas depois é que se pensa sobre os artistas que não podem realmente cantar, que não têm canções escritas por eles, e é como se, bem porque é que elas são artistas? Porque é que as empresas pagam para as promover? Porque elas são bonitas e de boa aparência diante das câmaras e estão numa espécie de sing-along? É como karaokê para meninas bonitas. E quando se é uma cantora e compositora eles não vão se importar se és bonita. O que importa é que cries um relacionamento com os teus fãs, e eles se importem com o que tens para dizer.”

E Gaga claramente tem muito ainda para dizer. Graças a uma mescla de projetos, este tem sido um ano de revitalização e renascimento para ela. Na verdade, Gaga está tão inspirada que já está a trabalhar em novas músicas para seu próximo projeto, embora ela não revele muito sobre ele, deixando uma metáfora. “Eu quero que os fãs se surpreendam”, diz ela. “Eu só irei adiantar-lhe que é uma experiência maravilhosa, uma procura pela minha alma. E é muito diferente do meu último álbum nesses termos. Eu fiz esse álbum na estrada. ARTPOP foi, como sabes, um álbum difícil de fazer. E este próximo é como – o meu velho “eu” em forma de cadáver. E eu só estou, eu estou operando o meu velho “eu”.”

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